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Além do Horizonte

Neste blog poderá encontrar temas relacionados com a inclusão, a forma de descomplicar e informar sobre a cegueira, bem como as dificuldades que sentimos no dia-a-dia.

Além do Horizonte

Neste blog poderá encontrar temas relacionados com a inclusão, a forma de descomplicar e informar sobre a cegueira, bem como as dificuldades que sentimos no dia-a-dia.

Cega ou Audiovisual?

24.07.19, Além do Horizonte

 

Vamos lá esclarecer! Não somos audiovisuais, nem invisíveis.

Ser audiovisual já é estranho, mas invisível!! Já é demais !

Acreditem, é mesmo verdade!

Já nos chamaram de invisíveis e com muita pena nossa não estavam a brincar. E já agora, também não somos portadores de deficiência, não transportamos nada.

Uma das primeiras vezes que recorri ao serviço da Uber, o motorista foi bastante atencioso. Veio ter comigo, encaminhou-me para o carro e durante a viagem surgiu a habitual conversa de circunstância. Qual não foi o meu espanto quando a dado momento ele referiu: “Pois, sabe eu também conheço um casal de audiovisuais ”!

Esta foi a primeira vez que me aconteceu ouvir, e sinceramente ao início pensei que estava a brincar, depois percebi que não… Entretanto já voltou a acontecer por várias vezes, principalmente no metro.

O termo invisual surgiu durante a época da ditadura, antes do 25 de Abril. Há quem considere que utilizar a palavra “invisual” se aligeira e reduz a carga negativa que a sociedade atribui ao termo deficiente visual.

Nós achamos que devemos de ser tratadas por cegas, sem qualquer tipo de rodeios! Porque é essa de facto a nossa condição!

 Mas claro que respeitamos quem prefira ser tratado por invisual.

Assim, já sabem! Deficiente visual, cego ou invisual, são termos apropriados!

Audiovisual ou invisível? Definitivamente não!

Bons horizontes!

Felicidade e cegueira na mesma frase?

12.07.19, Além do Horizonte

 

Fiquei cega há 2 anos atrás. Em 2004 tive um descolamento de retina e fiquei cega do olho esquerdo; em 2017 foi a vez do olho direito… fiz uma cirurgia que correu mal, e acabei por ficar totalmente cega.

Confesso que nesse dia o meu mundo parou. Durante os primeiros dias não tive reação, não sabia o que fazer. Mas entretanto pensei que só me restavam duas alternativas: tornar-me uma pessoa triste, frustrada e desmotivada, ou encarar esta situação e tornar-me independente e autónoma.

Escolhi a segunda hipótese. Dez meses depois, fiz o meu primeiro percurso sozinha, entre o metro e o autocarro;cheguei ao destino em segurançae fiquei muito orgulhosa de mim.

Neste post gostaria de destacar a importância da resiliência e da adaptação, realmente somos dotados de competências que em alturas de mudança fazem mesmo toda a diferença.

A perda de visão foi uma grande perda. Mas não foi o fim.

E nesta altura sou simplesmente a Bárbara. Tenho 38 anos, sou casada e tenho duas filhas, actualmente com 4 e 13 anos, respectivamente. Para além de mulher a tempo inteiro e mãe a toda a hora, estou a preparar-me para reintegrar o mercado de trabalho, agora com outras circunstâncias.

Envolvi-me no projecto Sexto Sentido, um projecto de corrida guiada cujo objectivo é quebrar preconceitos e estimular a prática desportiva, através da inclusão de pessoas com deficiência visual no mundo do running.

Sinto-me viva. Sinto-me a Bárbara.

Uma das coisas que me faz muita confusão desde que perdi a visão, é a forma como as pessoas olham para a deficiência. Como costumo dizer, continuo a mesma pessoa, tenho as mesmas características, os mesmos gostos e vontades. Sei que tenho limitações, algumas possíveis de contornar, mas também tenho a plena convicção que a minha felicidade não depende da minha visão, mas sim da forma como escolho viver com ela.

Sem pena. Com inclusão plena!

Convidamos a assistir a este vídeo que aborda este tema de uma forma leve como tanto gostamos.

Bons horizontes!

 

 

Sou cega e sim, cozinho!

10.07.19, Além do Horizonte

Receita de Scones

Hoje vamos iniciar a rubrica de receitas! É muito habitual perguntarem se cozinhamos, como fazemos…Vamos lá desmistificar…. Sim, cozinhamos e modéstia á parte, muito bem! Mas é claro que usamos truques para conseguirmos facilitar as tarefas que temos a executar.

Para esta receita não precisamos de batedeira, é muito rápido e dificilmente deixam de agradar.

Pode servir com manteiga e compotas caseiras… a acompanhar um belo chá!"

 

Ingredientes:

225 gr de farinha

40 gr de açúcar

1 ovo batido

1 colher de sopa de manteiga

6 colheres de sopa de leite

1 colher de chá cheia de fermento

1 pitada de sal

 

Preparação:

Peneire a farinha com o sal e o fermento. Junte a manteiga e os restantes ingredientes, misturando tudo rapidamente com as pontas dos dedos, sem amassar. Faça bolinhas e coloque-as num tabuleiro untado ou com papel vegetal. Leve ao forno quente durante 10 a 15 minutos. Sirva quentes com manteiga e compotas.

 

Bons horizontes!

Dica do Dia

05.07.19, Além do Horizonte

Para facilitar o nosso dia a dia, criamos uma rubrica de dicas. Aqui vamos regularmente sugerir soluções que já vamos utilizando na nossa vida diária.

A organização é muito importante para a nossa autonomia: nós cegos temos de arranjar estratégias para não estarmos sempre a precisar de ajuda de terceiros.

Esta dica foi-me dada por uma amiga e confesso que me resolveu um problema, principalmente com a roupa da minha filha C. que tem 4 anos e muitos conjuntinhos.

Já ouviu falar nos magníficos sacos de organza?

São uns sacos que lhe podem facilitar a vida no contexto de organizar as suas coisas, como por exemplo, guardar os pijamas fazendo o conjunto.

Sigamos aqui, pois amanhã haverá outra dica fabulosa!

Bons horizontes!

Quem disse que é preciso ver para correr?

05.07.19, Além do Horizonte

Não poderíamos deixar de iniciar a nossa rubrica de desporto sem mencionar o Projeto Sexto Sentido PT, grupo de corrida guiada para pessoas cegas ou com baixa visão.

Para nós é um projeto especial, somos as duas atletas deste grupo de pessoas incríveis, constituído por voluntários que nos guiam e motivam em cada treino para continuar.

O Projeto Sexto Sentido surgiu no Brasil, mais concretamente em Florianópolis, quando um grupo de amigos começou a correr com pessoas com deficiência visual. O projeto chegou ao nosso país através do Alexandre, que era guia no Brasil.

Em Portugal já existem várias modalidades desportivas para pessoas com deficiência, contudo este projeto interessou-nos por ser uma corrida feita na rua ou em trail. Ainda não existem muitos atletas a praticar, contudo a divulgação tem trazido mais pessoas a esta prática desportiva.

Aproveitamos para agradecer aos nossos guias Alexandre, Ricardo, Simone, George e Mónica, que são os voluntários que tornam estes momentos possíveis. Destacamos ainda a Andreia Coelho e a toda a equipa do MDA - Monte dos Amigos, que acarinhou este projeto desde o início.

Para saberem mais informações e participarem neste Projeto, contactem através do facebook

Projeto Sexto Sentido PT

Bons Horizontes!

Vidas que merecem ser conhecidas.

05.07.19, Além do Horizonte

Hoje sugerimos a visualização de um vídeo, para nós um exemplo de vida.

Também nos parece a melhor forma de iniciarmos os posts da rubrica Força, Fé e Foco, que representa o nosso lema!

Este testemunho retrata de forma muito evidente a motivação e força que nos fizeram continuar a viver depois de cegar, e acreditar que os desafios se tornaram maiores, mas nada é impossível.

Parabéns á Cátia pela pessoa que é e pelo exemplo que nos transmite!

Bons Horizontes!

 

E você, sabe guiar um cego?

05.07.19, Além do Horizonte

Parece fácil, mas ás vezes complicamos o que na realidade é simples.

A dica principal é que deve sempre falar com a pessoa cega e perguntar se precisa de ajuda. Sim, porque por vezes só estamos á espera de alguém e não queremos sair daquele lugar. Também acontece precisarmos de ajuda, mas por vezes quando alguém se propõe ajudar-nos, fá-lo seguindo o seu próprio percurso, que a maioria das vezes nem é o nosso.

Se vamos deslocar-nos, basta que a pessoa cega se agarre ao seu cotovelo e desta forma compreende e segue o seu movimento corporal, quando subir e descer escadas, usar rampas, entre outras situações. Não precisa de nos levar quase ao colo, nem de empurrar; por muito que nos queira facilitar a vida, só vai complicar.

É absolutamente desaconselhado desviar ou segurar na bengala da pessoa cega, sem falar primeiro. Lembre-se que nós não estamos a ver, mas ouvimos e sentimos. Se nos tocam sem falar, podemos assustar-nos.

Outra dica bem simples é, para entrar no autocarro: basta encaminhar-nos e colocar a a mão na porta.

Para subir uma escada coloque a nossa mão no corrimão e para nos indicar onde sentar coloque a nossa mão nas costas da cadeira ou no assento do banco.

Podemos dizer que temos tido muita sorte, e sempre recebemos ajuda nas situações mais difíceis de ultrapassar, quer na rua ou nos transportes públicos. É engraçado pensar que numa cidade como o Porto, começamos a criar uma ligação de proximidade com pessoas que nos ajudam.

Estar numa manhã complicada, numa estação de metro completamente cheia de pessoas onde nos tentamos mover no meio da confusão e ouvirmos uma voz familiar “menina B. eu vou para cima, vamos! Venha comigo!”. Era o Sr. Luís, que já me costuma “emprestar os seus olhos”, como eu, em tom de brincadeira, gosto de dizer.

Somos gratas a todos que nos facilitam a vida!

Obrigada a todos: senhor Luís, dona Ana, dona Zulmira e tantos outros, cujo nome não sabemos.

Bons horizontes!

Convidamos a assistir a este vídeo

Apresentação

02.07.19, Além do Horizonte

Somos duas amigas cegas, cada uma com o seu percurso, mas com alguns interesses em comum. Resolvemos criar este blog para desmistificar a cegueira e sensibilizar a população em geral para a forma como lidam com pessoas com os vários tipos de deficiência.

Não queremos pena, queremos inclusão plena.

Criamos este blog, porque quando ficamos cegas sentimos dificuldades em encontrar respostas para as nossas necessidades. Assim, resolvemos juntar conteúdos que consideramos de interesse para todos, partilhar as nossas próprias vivências, e agregar toda esta informação neste espaço.

Este blog é para si se:

é cego ou tem baixa visão;

tem um familiar ou amigo com deficiência…

Queremos mostrar que somos muito mais do que a nossa deficiência, que é possível ter uma vida autónoma e feliz.

Esperamos que o nosso blog Além do Horizonte seja útil para todos!