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Além do Horizonte

Neste blog poderá encontrar temas relacionados com a inclusão, a forma de descomplicar e informar sobre a cegueira, bem como as dificuldades que sentimos no dia-a-dia.

Além do Horizonte

Neste blog poderá encontrar temas relacionados com a inclusão, a forma de descomplicar e informar sobre a cegueira, bem como as dificuldades que sentimos no dia-a-dia.

Cego sim, ceguinho nunca!

20.02.20, Além do Horizonte

Olá! Para dinamizar mais o blog, vou ter a participação de mais um amigo. É o Elenir, que também é cego, e este é o seu primeiro post!

Bem-vindo Elenir

 

Cego sim, Ceguinho nunca

 

Muitos, por desconhecimento ou para cumprir o politicamente correto, chamam-me ceguinho, mas será que sou assim tão pequeno?

Deixam-me viver, deixam-me trabalhar, deixam-me ser feliz a minha maneira, pois tenho as minhas limitações, mas não sou incapaz. Se é verdade que tenho um atestado multiuso de 91%, por outro lado tenho muitas e boas qualidades que me definam como ser humano. Parem de me julgar pela minha bengala branca, sim é verdade, esta vareta, pau, muleta como muitos já lhe chamaram, é a minha companheira de todas as horas, cujo passou a ser os meus olhos a mais de cinco anos, que me leva para todos os lados.  

Procuro oportunidades para mostrar o que eu valho, mas não deveria ter que provar que sem ver que tenho muitas outras competências, pois esta barreira me mantem longe dos meus objetivos, e por mais que eu me esforce, e olhem que tenho esforçado muito, sempre haverá uma grande dificuldade para combater a cultura da ideia do ceguinho.

  Não tenham medo de aproximar, não tenham medo de perguntar, pois mais vale fazer uma pergunta que possa parecer estupida, as quais na maior parte das vezes não são, do que continuar na ignorância. 

Não pensem que dizer que eu sou cego é ofensivo, muito pelo contrário  não tem nada de mal, mas chamarem-me ceguinho sim, pois dá uma conotação diminutiva que remete. para adjetivos tais como coitadinho, incapaz entre muitos outros, as quais ninguém gosta de ser identificado.

Atualmente não se sabe exatamente quantas pessoas com deficiência visual existem em Portugal, mas eu não os conheço a todos e nem sou colega deles todos, portanto quando entro no café, só para citar uma das dezenas de exemplos, não quero que me ajudem a sentar com uma outra pessoa apenas por ela ser cega, e acharem que tenho a obrigação de conhecê-la.

Nesta nova era das sociedades da informação e do conhecimento, a mentalidade das pessoas embora ainda pouco conhecedoras das deficiência visuais, tem vindo a mudar, criando assim um novo sentido de responsabilidade, permitindo a integração de pessoas com deficiências na sociedade e no mercado de trabalho. Apesar deste esforço todo para a nossa integração, ainda há muito trabalho a ser feito, e não poderia deixar de agradecer a todas as pessoas e empresas que abraçaram esta causa, e reconhecer que estamos a progredir a passos largos, e espero que esta febre seja cada vez mais contagiosa, pois com toda a certeza quero evoluir cada vez mais e voar para além do horizonte.   

 

Elenir

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